sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Os tambores de minha infância

Era noite escura. Destas que o povo da roça diz: "Escura que nem um breu". Aí você podia saber que era escuro mesmo, não se enxergava um palmo em frente ao nariz. Aí então meu pai resolveu ir a uma festa num bairro de quase uns 5km de distância. Distância esta que hoje pode ser transposta com grande facilidade e sem percalços. Mas imagine há mais de cinquenta anos atrás, nem havia iluminação de lampiões, só lamparinas: objeto rústico de iluminação, cujo combustível é a querosene. Além de iluminar muito pouco tinha um cheiro horrível e não servia para iluminação externa, pois apagava-se facilmente com o vento. Lá vai nós para a festa, papai mais um amigo e eu que na época era um menino pequeno. Escuridão total nos envolvia nada se enxergava, nem mesmo o próprio caminho. Só não me perdi porque meu pai ia me guiando pelo cabo do guarda-chuva no qual eu ia grudado e não soltava de jeito nenhum. Chegamos a tal festa, mas não era junina e sim muito diferente. Havia uma enorme fogueira de troncos e os convivas dançavam em torno da mesma, uma dança estranha que eu nunca tinha visto, ao som de um tambor. Era mais ou menos assim: Fazia-se um circulo ou roda e os festantes iam rodando e batendo com a barriga entre si, tudo ao som ritimado de um tambor, tal dança chamava-se Jongo, de origem africana. Tal folclore já não se vê mais, a modernidade está extinguindo aos poucos as tradições, esquecemos as nossas origens, sem tradições um povo não se referencia, perde aos poucos suas origens e vira presa fácil dos gatunos e dos banqueiros. Ao voltar para casa embora tal festa tenha me divertido.O som daquele tambor ficou em minha cabeça batendo, mesmo depois de horas de não mais ouvi-lo. São os tambores de minha infância, que ainda ecoam distantes, através da noite escura. Ficaram distantes, mas ainda ecoam aqui no meu peito. E trazem uma saudade infinita daqueles tempos que não voltam mais.
rascunho 15/10/08 de passaro errante Excluir
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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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