domingo, 14 de junho de 2009

Uma andorinha só não faz verão.

É madrugada, perdi o sono. A isto se chamam insônia, a gente procura o sono e não o encontra, estamos numa madrugada fria do mês de junho da primeira década do século XXI. Salvo algumas alterações do efeito estufa dizem, graças a Deus o mundo continua mais ou menos o mesmo, faz frio, faz calor, chove, as estações se sucedem, as crianças nascem, os animais se reproduzem. O vento sopra nas folhas das arvores, esta época do ano as folhas secam mais e caem forrando o chão e são tocadas pelo vento invernal. Os dias são muito límpidos, o ar parece diáfano e sopra um friozinho até gostoso. Só sinto falta um pouco é do fogão de lenha dos tempos da roça, e cozinhar batata doce e pinhões na brasa. Na cabeça, embora um pouco vazia, venha pensamento esparsos de minha vida, eu e minha esposa não nos entendemos muito. Nossos gostos diferem, cada um gosta de uma coisa, gosto dos filmes legendados e ela dos dublados. Gosto de filmes românticos e ela não. Gosto de ir ao cinema e ela não aprecia. Às vezes gosto de conversar com amigos e ela não aprecia, procuro colocar pra ela que ninguém é uma ilha, não somos o Robson Crusoé. Li em algum lugar que um casal pelo menos para combinar tem que olhar pelo menos na mesma direção, ou seja, termos os mesmos objetivos. Mas parece que nem tudo está perdido, pois concordamos na educação de nossa filha. Tenho procurado gostar também do que ela gosta e fazer na medida do possível os seus gostos. Procurar ter mais paciência com suas pequenas fraquezas, ser mais tolerante, com os detalhes, as pequenas coisas que não afetam o conjunto total da obra. Acho que a concordância tem que ser genérica. Duas pessoas nunca irão concordar totalmente com tudo, nem mesmo os gêmeos uni vitelinos. Há diferenças de todas as espécies: físicas, psicológicas, de criação, de ambiente, que moldam o ser humano. Já se disse que o homem é produto do meio. Além disso, toda pessoa por mais perfeita que seja carrega seus defeitos e suas idiossincrasias. Se não me engano tem um mandamento da igreja que diz: “Que é para se ter paciência com as fraquezas do próximo e perdoa-las”. É necessário muita tolerância e muito diálogo. Senão não se vive junto. Cada um fica como bicho em sua jaula. Cada um pro um lado e sofrendo sozinho. Uma andorinha só não faz verão. Vive só e sem ninho. Sofrendo frio e desolação.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Cadê a meninice do menino?

Que bonito o início da vida, tudo é novidade, tudo é começo. O sol brilha mais bonito, os pássaros cantam maviosos, as cigarras chiam na mata ao meio dia. A tarde promete brincadeiras mil, de deslizar nas folhas dos coqueiros, caçarem borboletas, andar de carrinho de rolimãs, etc. Chega à noite o céu escuro cobre-se com milhões de pérolas multicores. O vento acariciando as folhas, fazendo um suave murmúrio. O sono já pega o menino desprevenido, para mergulhar em mil sonhos infantis de brincadeiras, pra noutro dia despertar pra novas aventuras. Os sonhos rarefazem na adolescência, para acabar na dureza da seriedade da vida adulta. Adeus brincadeiras, agora o menino se tornou um homem sério. É preciso contar, quantificar, classificar, produzir, trabalhar, como o homem do Pequeno Príncipe que contava as estrelas e anotava em seu livro de contabilidade, pois elas agora não são pérolas, são astros que estão a tantos anos-luz. A luz por sua vez caminha trezentos mil quilômetros por segundo, assim por diante. Também é preciso saber o valor do dinheiro, pois este é muito importante para a vida adulta, até mais mesmo que as estrelas. É preciso saber conta-los, até mesmo saber ganha-los. As estrelas já não interessam mais. Afinal pra que servem, enfeitar o céu à noite? Mas que falta de utilidade! Imaginar que um homem uma noite levantou-se para ouvi-las e conversar com elas, devia ser mesmo um louco ou um poeta. O sorriso da meninice do menino perde-se na sisudez da vida adulta. E perde grande parte da vida a caçar o ouro de tolo, nos meandros do capitalismo selvagem, na sua cabeça colocam idéias de jerico, de grandeza, competitividade. Agora não é mais o ser, e sim a conjugação do verbo ter, ter muito e cada vez mais. Um dia o homem já doente e cansado, volta-se para o amanhã de sua infância e descobre o menino franzino e descalço, mas que um dia foi feliz e pobre.
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Tudo o que balança cai.

A vida é frágil. Já se disse que não se pode avaliar a grandeza e a força do mar pela inconsistência de sua espuma. Não foi o frágil sopro da vida que também construiu nossos ossos, enfim nossas estruturas mais fortes e resistentes. Agora você pensa em um monstro antediluviano no ar, pesando 270 toneladas, construído de aço, velocidade de 900 km por hora, controlado por 40 computadores ou mais. De repente uma tempestade tropical o derruba e as frágeis vidas humanas perecem no oceano onde reina profundidades abissais. Erros houveram é claro, por que não é possível isto acontecer por acaso, do nada. Mais provável é uma cadeia de erros que culminaram com a queda fatal. Um objeto com este peso é lógico que está desafiando uma lei básica da Física: A lei da Gravidade, esta é inexorável, tudo o que existe no ar, mais pesado que este seja indubitavelmente puxado para baixo em direção a terra. Tudo isto acho complicado com a presença da tempestade que deve ter forçado as estruturas do avião ao seu limite. Daí se tira uma lição, sempre se deve reservar uma margem segurança em tudo na vida, nunca forçar a situação até limites, pois qualquer fator adverso a mais pode levar a um desastre. Outros aviões ao ver a tempestade desviaram a rota, por que este não o fez? Isto me faz lembrar outra situação de desastre, com erros humanos subestimando a natureza, o naufrágio do célebre Titanic, em que após avisos de “icebergs”, o comandante ao invés de diminuir a velocidade do navio, aumentou-a, contribuindo para o desastre. Computadores não erram. Será? Mas eles foram projetados por homens falíveis e frágeis, que erram freqüentemente. Será que eles também não carregam os problemas de seus donos? Pois são por estes programados. Os computadores não raciocinam. Muitas vezes a salvação de uma aeronave à beira de um desastre, depende do raciocínio rápido e coragem, por exemplo, daquele avião que caiu no rio Hudson, em que o piloto minimizou a tragédia evitando bairros populosos e o centro da cidade, preferindo cair no rio. Agora pergunto os computadores fariam isto? No célebre desastre da TAM em 1996 se não me engano, em que o avião caiu em uma rua movimentada da capital de São Paulo, em que o piloto quando percebeu que ao cair ia arrasar pura e simplesmente uma rua toda, conseguiu manobrar o avião até o leito carroçável da rua, salvando milhares de vida. Critica-se as leis brasileiras, mas em vôos internacionais, de acordo com as normas nacionais é obrigatórios dois pilotos, mas as normas francesas permite só um piloto e dois co-pilotos. Na hora do acidente fatal será que o piloto não estava descansando? E o avião manobrado pelos co-pilotos. Em situações de desastre isto pode fazer muita diferença. Enfim são interrogações que espero que possam ser respondidas a contento. Pois como disse a revista Veja, a aviação aprende na base da tentativa e erro e ou acertos. A conclusão a que chegamos sempre: O homem devia respeitar mais a natureza e não confronta-la a todo o momento, como vive freqüentemente fazendo. E voar nunca deixou de ser uma aventura, das mais fascinantes.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sonhar também é preciso...


Navegar é preciso, sonhar também é preciso, peço licença ao grande poeta português para parodiá-lo. E poder contar a nossa história. Trata-se da saga dos Almeida, talvez nem tão bem contada e importante como a dos Terra - Cambarás, mas importante porque é a história de nossa família, a que sofri e vivi. Década era início de 1950. Vivíamos como a maioria dos brasileiros na região rural labutando com plantações de subsistência e a criação do gado que servia para o corte, fornecendo também o couro e o leite. Vivíamos de início bem isolados, morando em casa de caboclo do Vale do Paraíba: chão de terra batida, cobertura de palha, pau a pique, construção de origem indígena, assim vivia a maioria das famílias. Pobre deste jeito, talvez nem pudéssemos sonhar, alguém poderia dizer, mas sonhávamos com coisa melhor, livro em casa só a bíblia, mas lembro-me de meu pai lendo-a deitado em uma rede após o trabalho e dizendo:” Luiz você vai fazer o Científico”, pequeno menino, totalmente ignorante das coisas, mas meu pai me fazia sonhar com coisas melhores, me colocava sonhos de que um dia iria estudar sair da pobreza intelectual e material, pois a pior pobreza é a de espírito. Um povo que enriquece o espírito certamente está destinado a ser um grande povo. “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, já dizia o grande poeta português. Então eu saia pelo mato golpeando as bananeiras com uma faca de cozinha, dizendo: “Eu vou fazer o Científico”, se há alguma analogia com Dom Quixote, vocês me desculpem. Mas certamente há alguma, todos nós temos um pouco de Dom Quixote, é só saber estimula-lo. Meu pai colocou sonhos na cabeça do menino. Sonhos bastantes quixotescos, considerando é claro as condições que vivíamos. Chegando a idade escolar meu pai me levou à escola do bairro, quase fui recusado devido ao tamanho mirim: muito magro e subdesenvolvido. Mas com alguma insistência paterna fui aceito e matriculado, um tempo depois minha irmã também me fez companhia nos bancos escolares. Escolinha pequena, acanhada, mas foi onde aprendemos as primeiras letras na cartinha Sodré cuja primeira lição era a da “Pata”. Mas o tempo foi rodando, meu pai amigo do progresso construiu casa nova, agora coberta de telha, pisos de tijolos e pasmem vocês, instalou míni-usina elétrica que fornecia algumas horas de eletricidade, que dava para ouvir radio mais ou menos umas três horas por dia. Como o potencial hidráulico era pouco a usina só funcionava das cinco às oito da noite, quando íamos dormir. Ouvíamos como não poderia deixar de ser Tonico e Tinoco, programa caipira chamado na “Na beira da tuia”. Pra quem não sabe: tulha, é uma espécie de silo pequeno dentro da casa onde se guardava mantimentos, ou seja, milho, feijão, arroz, enfim produtos de subsistência do caboclo. Em caipirês da época prinunciava-se se "tuia". A escolinha da roça era fraca e havia professores até a terceira série primária dos dias de hoje. Então chegou o ano fatal, não havia mais escolas pra nós estudarmos, se quiséssemos terminar o curso primário teríamos que ir à cidade mais próxima. Mas esta ficava longe, então a permanência no sertão ficou difícil, senão impossível. Foi quando com grande tristeza deixamos nossa querência, não sem um grande pesar deixamos à terra que nos viu nascer. As campinas verdejantes do sertão ficaram pra trás, juntamente com a casinha branca da serra. Lembro-me muito bem da mudança, os cavalos carregados dos poucos tarecos e mobílias iam lentos pela estrada, minha mãe a meu lado, íamos em direção a outro destino. Olhamos pela ultima vez a bela casinha branca que foi ficando pra trás juntamente com o verde das campinas. Não vou mentir, mas meu coração me doeu muito ao despedir-me do grande sertão...

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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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