terça-feira, 30 de novembro de 2010

A casinha pequena.


A casinha era pequena, mas bucólica, cercada por uma horta bonita, continha milharal, verduras, se tinha frutas não me lembro. O que me lembro é que tinha três imensos pinheiros em frente, pinheiro do Paraná, Araucária brasiliensis, sim, não flora exótica, mas sim bem nossa! Voltando a casinha esta bem pobre coberta de telhas antigas, tipo colonial, paredes de pau a pique. Acho que o maior legado do homem são as lembranças. Quando a vida parece difícil e o fardo fica pesado demais volto à casinha com minha avó e avô, minhas duas tias que brigavam por causa de mim. No mês de junho o frio era de rachar, agasalhos escassos e cobertores curtos, "tomara que amanheça". Era muito feliz nesse recanto pobre, mas abençoado de minha infância. Que muitas vezes me recolho quando as ondas do mar da vida parecem me sufocar. Agora penso estamos aqui por mero acaso, por um acidente de percurso, por que meu pai resolveu casar com minha mãe? Por que este lugar e não na China? Ou África? Por que não sou esquimó? Vivemos num mar de dúvidas, são muitas interrogações e poucas respostas. Por que assim e não assado? As perguntas se multiplicam e as dúvidas se acumulam. Coitado do Homo Sapiens pensa que sabe, mas não sabe nada. O jeito acho é aceitar as coisas  como são. Queria ser melhor, bonito, rico, inteligente, feliz.  Mas penso tive uma excelente família, fui badalado pelos meus pais, avós e tios. Esperança da família, o primogênito. Preciso querer mais se a maior parte do que pensei, realizei.
Acho que o mais piora a vida da gente é a autocomiseração, de repente você se considera um coitado, o mais infeliz dos homens, o menos dotado dos mortais. Não é assim, Deus nos deu talentos, alguns até escondidos que não sabemos. È preciso conhecer muito a si mesmo para descobri-los. O nosso espírito é muito antigo e só podemos entrar em contacto com ele quando dormimos e volta às paragens do amanhã, mas infelizmente esquecemos quando levantamos pela manhã e o nosso espírito de suas viagens. No INCONSCIENTE está toda a sabedoria humana, só que os arquivos que a contém são de difícil acesso. Como explora-lo? Por que pessoas que tem doenças incuráveis muitas se curam? Os ateus falam que foi obra do acaso? Será? Estou lendo o caso de um paciente que se recuperou  de um câncer incurável. Depois conto a vocês Por enquanto para quem me lerem. Obrigado!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O mito de Narciso.

Nunca o imperativo da beleza foi tão cultuado, pululam clínicas estéticas pra tudo o quanto é lugar. As mulheres não se conformam com seu corpo, ora o cabelo tem que ficar vermelho, ora roxo e pó aí vão, cirurgias plásticas nem se fale. O nariz é rebitado, entortado, escachado e mesmo assim não está bom, gastam-se rios de dinheiro com o estético, muito mais que com a saúde propriamente ditam. Narciso nunca foi tão cultuado que ao olhar pro espelho das águas apaixonou-se por si mesmo. Eis a lenda: a ninfa Liriope é possuída por Céfiso, deus e rio. De início a ninfa ficou preocupada, mas quando nasceu um menino de extraordinária beleza, ela ficou muito alegre, pois seria muito amado pelos deuses, por ninfas e por mulheres mortais. Preocupada procurou o cego Tirésias, notável adivinho para ouvir seu conselho. Este falou que Narciso teria vida longa, mas não podia conhecer a si mesmo. Ninguém entendeu o sentido das suas palavras. Até que um dia Narciso já moço e admirado por seus dotes físicos, viu sua imagem refletidas no seio das águas, ficou extasiado por sua beleza, desde então apaixonou-se por si mesmo, deixando-se ali ficar, pereceu de fome, sede e solidão. É a doença chamada narcisismo é disso que a humanidade sofre e o pior que tal mal não tem cura.  Veja o que acontecem com cantores famosos, beldades famosas, não suportam olhar a si mesmos, ficam isolados, morrem de solidão. A humanidade está doente do Narcisismo, culto a si mesmo e a beleza estética e física. Esqueceu o lado espiritual da própria beleza, que sem este lado a beleza não é nada, apenas um mero enfeite. 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Porvir


O céu estava escuro, o siroco soprava impiedoso, vindo dos desertos da África. A seca grassava já havia muito tempo, terra ressequida sem nenhuma vegetação, solo gretado não continha sequer uma gota d’água. Assim era a vida de Tonico em sua choupana: uma mulher de rosto cavado e um menino raquítico. A única esperança era a estrada que passava à quilômetros dali, que levava a outras paragens. Mas Tonico embora moço não estava preparado para as paragens do sul. Desde criança lavrava a terra e dela tirava o sustento, que agora esta lhe negava. Esperaria ali a morte chegar sob a forma de fome e sede? Resolveu não esperar, juntou seu jegue com os poucos pertences que tinha, partiu com mulher e filho em direção ao horizonte, onde o céu e a terra pareciam se encontrar. Ouvira falar que lá pras bandas do oriente existia a terra do leite do mel, iria esta procurar. Em resposta as indagações de Tonico uma nesga do céu se abriu e o seu caminho pos- se a iluminar. E uma esperança nasceu no coração do caboclo, pois este era o nome de sua mulher. Este era o nome de sua busca. Encontrará o que procura? Encontrará a riqueza e a abundância ou a fome e a desesperança? “Mas do que jeito que está não pode ficar”, dizia Tonico. Pois tinha companhias importantes de poetas ilustres e de guerreiros audazes. “Navegar é preciso, mais importante até que viver”, ecoava através dos séculos. De Pompeu das legiões romanas, de Colombo dos mares, de Marco Pólo das areias do deserto... Assim o caboclo foi em direção ao porvir.

Luiz Antonio de Almeida itens compartilhados

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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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