quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Meu Tipo Inesquecível

Quando eu era adolescente gostava de uma revista chamada Seleções, muito boa, aliás, com artigos variados, tinha uma sessão muito interessante entre outras que tinha por título: Meu Tipo Inesquecível, pois é nesta sessão geralmente se desenvolvia um artigo interessante de um algum autor sobre uma pessoa notável em algum ramo da atividade humana, ou que tinha alguma característica peculiar. Então havia o desfile de várias personalidades, mas muitas vezes não precisava esta pessoa ter escrito um livro ou escalado uma montanha. Muitas vezes eram pessoas simples mesmo, a avó do autor, uma tia ou vizinho, mas que tinha uma história interessante desta pessoa. Se eu fosse escrever meu Tipo Inesquecível, a minha mãe preencheria todos os quesitos, pois era uma pessoa interessantíssima que muito me marcou, quer pela  paciência, sua perseverança, fé, e sabedoria. Pra começar ela sabia de todas as histórias interessantes e engraçadas do Bairro. Uma espécie de cronista conhecia histórias interessantes de assombrações e do Pedro Malasartes, este ultimo como o próprio diz vivia fazendo artes e pregando peças nos mal avisados. Sabia histórias da escravidão, do Lampião e Maria Bonita, do Corpo Seco e do Saci Pererê. O Saci Pererê era um moleque bem escurinho de uma perna só que vivia assobiando pelo mato. Provocava vento e fazia redemoinhos, atrapalhava a crina dos cavalos, e fazia as pessoas perderem coisas. Sabia também o coaxar dos sapos e o que significavam: Uns faziam gamelas de acordo com seu coaxar, outros tocavam instrumentos, assobiavam, etc. Ela teve uma vida muito dura, desde criança trabalhou pesado em engenhos de fazer rapaduras, o adoçante que precedeu o açúcar, que, aliás, era muito melhor, mas acabou só subsistindo talvez no interior de Minas.  Como toda pessoa sofrida era triste e não gostava de rir muito, trabalhava duro, como todo o mundo fazia naquela época de vida rural intensiva. Tudo ou praticamente tudo saia da fazenda, só se ia à cidade pra comprar fósforos, sal e roupas que não se fabricava nas fazendas ou sítios. No mais tudo ali era produzindo: A carne, o leite, a manteiga, a banha, a farinha, rapadura, verduras e frutas. As cidades eram pequenas e de pouco comércio, a ponto das cidades dependerem quase completamente da zona rural. Mas claro isso mudou. Então, estava dizendo que ela era triste, mas até certo ponto. Pois a vida familiar era o ponto forte daquela época, as famílias eram muito mais estáveis, e tudo praticamente girava em torno da vida familiar.  As festas, as visitas de uma família a outra, esta vinha nos visitar, então ficávamos devendo uma visita que logo era combinado para o próximo domingo ou feriado. Também vivendo e observando isto acho que fiquei muito caseiro e aprecio também esta vida familiar que infelizmente acabou. Estava falando de sua tristeza, às vezes, mas nem sempre, pois ela adorava visitas e  conversar, contar suas histórias. O riso embora sendo uma mulher pequena fosse impressionante e tonitruante, parecia que ela ria com o corpo todo e com a alma. A alegria tomava conta dela. Então minha mãe foi o meu Tipo Inesquecível.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Liberdade abre as asas sobre nós

A necessidade foi o motor que movimentou e movimenta o homem  em direção a sua evolução. Outra coisa muito prejudicial para a humanidade são as idéias preconcebidas e os dogmas, cisma-se que alguma coisa tem que ser assim e não de outra maneira e instala-se a intolerância pra quem pensar diferente, surgem às perseguições políticas, religiosas, econômicas. O homem desde que veio a terra e isto faz muito tempo. Alguém sacou não se sabe de onde que a terra tinha 4.004 anos porque estava escrito na Bíblia, também não se sabe em que capítulo ou versículo e ai que quem discordasse disto, em certa época obscurantista ia parar na fogueira da inquisição. Grandes homens foram parar na fogueira só porque ousaram discordar das coisas pré estabelecidas pela religião: Giordano Bruno, Kepler, Galileu, Sócrates este ultimo pela acusação de corromper a juventude e ensiná-la a pensar com a própria cabeça. Os homens de religião têm muito medo das cabeças pensantes, homens que não aceitam coisas mastigadas, dogmatizadas sob formas de seitas, passadas como verdades indiscutíveis. Este indivíduo que deu a idade da terra foi imediatamente desmentido por uma ciência importantíssima chamada Arqueologia, como o próprio nome diz: A ciência que estuda os fósseis. Ora pensavam como pode ser se a terra possui solos e rochas antiguíssimas que superam bilhões de anos?   E existem fósseis com esta mesma idade. Com o tempo os arqueólogos estudando as rochas, os solos, as formações geológicas estabeleceram uma cronologia da história da terra, cuja origem remonta há mais ou menos 4,5 bilhões de anos. Que é a mesma época da formação do sistema solar, onde foram formados os outros planetas irmãos da terra tendo o sol como centro deste sistema, denominou-se a este sistema o nome Heliocêntrico em contraposição ao Geocentrismo em que se colocava a terra como centro do Universo. Havia na Grécia duas escolas: Uma tradicional tendo Platão como mestre e a escola Jônica tendo como principal representante Tales de Mileto que viveu há mais ou menos em 600AC. Este era um verdadeiro cientista: Matemático, astrônomo acreditava que tudo na terra teria explicação lógica, ,ou seja, científica através da matemática, de cálculos e do raciocínio lógico. Chegou-se a conclusão que o sol era o centro do sistema solar, previu eclipses, mediu a altura das pirâmides através de sua sombra projetada. Porque tais idéias não prosperaram? Cientificamente estaríamos muito mais avançados, pois sabemos que tudo isto foi elucidado na época do Iluminismo, ou seja, há poucos séculos atrás. Aqui vai um parêntesis com o término da idade média houve uma volta à antiguidade clássica e as idéias da escola Jônica e os estudos da Ciência, das Artes e da Política foram novamente valorizados. Entre o século XVII E XVIII surgiram os filósofos iluministas: John Locke, Descartes, Montesquieu, Rousseau, Copérnico, Kepler, Laplace, Lavoisier que provocaram uma verdadeira revolução no pensamento, colocando o homem realmente no Centro do Universo tal movimento chamava-se Antropocentrismo. Valorizava-se se o homem, a liberdade, a propriedade privada, combatia-se a influência do Estado, o mercantilismo. Proclamava-se que todos seriam iguais perante a lei, propugnava-se a democracia.  A intolerância é a mãe de todas as ignorâncias: geram guerras, mortes, pestes, doenças, morticínios e até catástrofes. Nesta época apesar do Iluminismo já citado também havia  muita intolerância principalmente religiosa e os judeus foram expulsos principalmente de Portugal, Espanha, França, enfim dos principais países da Europa Ocidental. Em torno do século XVI E XVII e o pior também havia as guerras religiosas entre protestantes e católicos que dizimavam populações e mergulhavam a velha Europa no obscurantismo. O que  fizeram? Tiveram que emigrar veio pro Brasil, Estados Unidos, e também houve um país da Europa que era muito eclético e fez questão de também de recebê-los trata-se da Holanda. País pequeno sem muitos recursos naturais, mas que naquela época se aproveitando do conhecimento trazido pelos povos de toda a Europa,  retomou as idéias dos antigos filósofos gregos Jônicos e firmou novamente o sistema correto do Heliocentrismo. Fez-se inúmeras descobertas astronômicas, Johanes Kepler descobriu o telescópio que ampliou o conhecimento do homem sobre o universo, também descobriu-se o microscópio. Os horizontes científicos foram ampliados enormemente, este pequeno país tornou-se o centro científico e artístico e econômico de todo o Continente Foi fundado a Companhia das Índias Ocidentais. E a Holanda um pequeno país partiu para conquistas de novas terras e tornou-se uma grande potência marítima. O que se conclui de tudo isto:

1-   Fora com idéias preconcebidas e dogmas.
2-   Ensino da Ciência nas Escolas desde o Curso Primário até a Faculdade
3-   Separação Total e irrestrita da Igreja e do Estado.
4-   Ensino da Filosofia.
5-   A ministração dos Estudos das Ciências, das Artes, da Filosofia tem que ser obrigação irrestrita de um Estado laico, desprovido de todo e qualquer preconceito de qualquer espécie.
6-   O estado tem que reservar uma verba para que todo cidadão tenha acesso a todos os estudos.
7-   A democracia Grega deveria imperar.
8-   A liberdade de pensamento e a livre circulação das idéias através de uma imprensa livre e democrática
9-   Fora com os tiranos.
10-                   Escolaridade total para todo o mundo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Uma andorinha só não faz verão...



Nuvens esparsas como fiapos de algodão eram iluminados por um sol cor de cobre que tingia o horizonte, na verde vegetação rasteira soprava uma brisa suave de primavera espalhando um perfume de flores no ar. Fazia tempo que Barak procurava sua amada que com seu filho desaparecera no ultimo verão de chuvas torrenciais, gostava dela e de seu rebento, mas pensava que talvez tivessem morrido na voragem daquela enchente. Tudo aconteceu muito rápido. Resolvera construir sua cabana em um baixio porque ficava próxima a fonte d’água, morava ali com sua esposa amada e seu filho. E a vida transcorria normal: caçava, pescava, enquanto Kerouac colhia frutas e verduras silvestres para complementar a alimentação. Tudo transcorria bem até aquele fatídico verão onde parecia que o céu tinha desabado em cascatas ondeantes e a tudo inundou, perdeu as plantações. E o pior perdeu mulher e filho levados pela força das águas. Vivia só desde então já fazia dois anos destes infaustos acontecimentos. Mas tinha ainda  esperança de encontrar mulher e filhos, pois não encontrara os corpos. Ela podia ter sobrevivido, pois era muito esperta e forte podia ter segurado em algum tronco, quem sabe até o filho também se salvara. Mas o tempo estava contra, pois ela ainda não aparecera, resolveu não mudar, permanecer no mesmo local do infausto acontecimento, para que ela o localizasse caso tivesse sobrevivido. O local era mata virgem habitada por muitos animais selvagens e os rios eram piscosos. No fundo era um belo local pra se viver, mas não sozinho, pois a vida foi feita pra ser compartilhada. Com isto perdia a graça de viver e já não sabia que rumo tomar, alimentando sempre uma vaga esperança de encontrá´-la. Mas o tempo passou as estações se sucederam, a voragem das águas dava margem à calma do outono, para em seguida dar passagem ao forte inverno da região com tempestades violentas, nevascas intermináveis que duravam o mês todo. Tinha que estocar tudo para este tempo, pois nesta época a terra nada produzia e a caça era muito escassa. Mesmo os animais passavam fome. E a caça muito perigosa, pois o caçador muitas vezes podia virar caça.  E os anos foram se passando e Barak foi ficando mais velho e com o tempo até esqueceu-se de sua antiga amada. Não se sabe quantas primaveras e invernos haviam passado, pois seus cabelos começaram a cobrir  de uma cor esbranquiçada lembrando a neve, e percebeu que suas forças já não eram as mesmas para caçar e pescar. Então resolveu procurar outros locais pra viver onde houvesse mais tribos, pois estava muito velho para viver sozinho. Saiu para este mundo de meu Deus e andou léguas e léguas, dormiu ao relento, acordou com o rosto orvalhado pela frescura da manhã, via lindos pores do sol, assim como noites frescas e o céu a brilhar com milhões de estrelas. Tudo era muito bonito no mundo. Só nunca mais esqueceu-se de Keurouac, que parece ter se dissolvido na neve ou sumido com a névoa da manhã  Só restava à lembrança do seu porte altivo e de sua tez amorenada, suas belas ancas. Mas Barak viajou por este mundo sem fim. Até que encontrou uma tribo de homens diferentes eram altos espigados e morenos. Eram muito hábeis em manejar o arco e a flecha e em fazer instrumentos. Mas com um linguajar diferente não sabia direito a língua da tribo, mas aos poucos foi se entendendo e resolveu ficar por ali numa velha cabana até arrumou companhia de um esperto cão de caça. O pessoal até que era amistoso e aos poucos foi entendendo a língua da tribo. Perguntou por Kerouac, mas ninguém sabia. Mas decidiu-se não mais procurá-la. Dava a busca por encerrada, pelo menos a sua solidão era menos sofrida ao lado daquele alegre e amistoso povo. 

Luiz Antonio de Almeida itens compartilhados

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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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