quinta-feira, 23 de julho de 2009

O pé de Ipê

Estava até um pouco triste com a desolação que assolava: gramas secas arvores quase sem folhas, ressequidas, galhos retorcidos, céu límpido sem nenhum sinal de chuva, pudera estamos no final de julho, muita seca como é previsto para este mês. Mas eis que no caminho em meio à selva de pedra: só asfalto e cimento, me deparo com um raro e florido Ipê amarelo, arvore brasileira por excelência, aliás, nossa arvore símbolo. A atestar à ação renovadora da natureza que apesar dos maus tratos nos surpreende frequentemente dando-nos demonstrações de vitalidade e beleza, como a floração do Ipê nesta época. Assim também é a vida sempre renovando e nos surpreendendo a cada passo. Daí me vem à baila a história daquele casal que sempre se encontravam para namorar embaixo de um pé de Ipê, diz a história que era perto de uma encruzilhada, mas daí veio o vento e espalhou as flores do Ipê, veio a vida e nos separou, deixamos a nossa juventude pra trás e outros caminhos trilhamos, eu sem você e tu sem mim. A vida traçou outros planos para nós. Mas ainda ao avistá-lo ouço ainda o canto daqueles passarinhos de outrora, lembro-me daquele candido beijo que lhe dei, você pejada de vergonha, na sua timidez infantil. Hoje já com minhas cãs, penso que bobo que fui. Pois naquela época tínhamos o mundo, mas deixamos o tempo passar e ele passou inexorável e nos levou tudo, inclusive a inocência daquele beijo.

domingo, 12 de julho de 2009

A lenda do Prometeu

A Prometeu e seu irmão Epimeteu foi dado à tarefa da criação de todos os animais e suas qualidades. Assim foram criados os animais ferozes, os que voam, os capazes de muita força, outros de muita astúcia, outros muito pacíficos. Mas quando chegou à criação do homem haviam sido esgotadas todas as qualidades que já tinham sido distribuídas aos demais. Para o rei dos animais não ficar em desvantagem, Prometeu roubou o fogo dos deuses e deu aos homens. Mas Zeus ficou irritadíssimo com a audácia de Prometeu, prendeu-o e o acorrentou ao Monte Cáucaso, enquanto estava assim acorrentado vinha uma ave e lhe devorava o fígado, mas este se regenerava, pois aquele era um deus imortal. O castigo duraria 30.000 anos, mas veio Hercules e o libertou do castigo, substituindo-o pelo centauro Quíron, esta era uma exigência para libertá-lo.

Trata-se de lenda grega de muito significado: Prometeu representa a audácia do homem sempre atrás de descobertas e muitas vezes desafiando os deuses.

sábado, 4 de julho de 2009

Uma torre para o céu

Não sabia há quanto tempo era sozinha, só que a velhinha tinha uma história, teve família que há muito tempo tinha vindo da Itália, era nesta época pequenina tinha cerca de oito anos, quando um desastre de trem levou sua família, pais, irmãos, avós, como não tinha mais parentes no Brasil, foi criada na colônia italiana por pessoas estranhas. Conheceu a pobreza e a solidão já desde cedo. Também tinha grande dificuldade de comunicação, pois não tendo aprendido direito o português, não sabia pedir alimentos, por não conseguir expressar-se direito. A sorte não a favoreceu, na época havia poucos empregos para mulher sozinha e que não conhecia também as letras, viveu em casa de famílias, até que um dia se viu velha, doente e sozinha. Daí então passou a viver em albergues e da caridade pública. Mas era muito econômica e toda economia amealhada, corria e guardava de baixo do colchão, como quase todo velho não era bonita, até era um pouco esquisita, vivia falando sozinha com seus botões. Como a imaginação do povo aumenta muito, após alguns benzi mentos que deu certo, e algumas rezas ficou com fama de feiticeira, fato realçado por suas maneiras esquisitas de falar sozinho e também por suas roupas extravagantes. Muitos a procuravam para obter a cura dos seus males e preparação de filtros para casos de amor sem solução. Tudo isto aumentava sua fama de ter poderes mágicos, conversando com pessoas já falecidas tornando uma espécie de médium espírita. Os casos que lhe apareciam eram banais: amores não correspondidos, casos de eczema e cobreiros, erisipelas, etc. Com isto foi enchendo o colchão de moedas, mas após algum tempo as moedas aumentaram tanto que magoavam seu corpo após dormir em colchão tão duro e abarrotados de metais. Um dia aconteceu o inesperado: uma noite de chuvas intensas com muitos raios e trovões, sua casa também goteirava, molhando o seu colchão que além de magoar seu corpo não oferecia conforto nenhum, pois estava encharcado pela chuva. O que lhe ocasionou muito resfriado e febre contínua que muito perdurou, piorado pela chuva que também persistiu por vários dias. Até que numa noite de tempestade, com relâmpagos e trovões que davam até medo, alguém bateu a porta insistentemente. Com muito custo já doente pela febre que não a deixava, além da tosse constante, foi atender. Então uma pessoa desesperada a porta suplicava que salvassem sua filha a beira da morte em casa com tuberculose e sua numerosa família passando necessidade e doenças. Daí-me um filtro por favor dizia a mãe desesperada. Já sem saber o que fazer Maria Amália que era o nome da velhinha se desesperou; abriu o colchão e começou a lhe jogar moedas, até esvaziá-lo ___. Toma seu filtro dizia ela ___ Faça bom proveito. Pelo menos naquela noite durmiu sossegada sem o vil metal para magor-lhe o corpo. Parece que a febre até passou. A noite teve um sonho muito lindo que jamais tinha tido. Sonhou que tinha construído uma torre para o céu. Uma linda torre iluminada com rubis flamejantes. E por ela subiu para encontrar-se com Jesus.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O cachorro malhado

Existem fatos que não saem da memória da gente, são principalmente os acontecimentos da infância. Época dourada de lembranças acalentadoras de um tempo que não volta mais, por mais que evoquemos. Os dias ensolarados, o vento cortante, as geadas no inverno, o verão muitas vezes abrasador, o chiado das cigarras, o canto dos passarinhos.
Vou relatar uma lembrança que muito me tocou a infância, e é uma história verídica:
Certo dia apareceu em casa um animal desgarrado, um cachorro da raça perdigueiro, daqueles de orelhas grandes e caídas, tipo malhado: branco com manchas pretas pelo corpo, cujo latido é mais para um uivado, que impressionava bastante a gente à noite, parecendo o uivo de um lobo... Chamou a atenção por não ser um vira-lata quaisquer que sempre costumavam aparecer geralmente vindo dos vizinhos próximos. Aquele cachorro tinha algo de especial, pois não o tínhamos visto nas redondezas e não conhecíamos o dono. Mas o que chamava a atenção da gente é que o cachorro estava muito doente e mal cuidado. Apresentando grande ferimento na região do pescoço: Profundo, cheirando muito mal e com muitos bichos, oriundos de “bicheira”. Um ferimento exposto que não se cuida principalmente na região rural onde há muita vegetação e moscas é frequentemente infectado por larvas de moscas que no local se desenvolvem e vai destruindo os tecidos. No caso do infeliz cachorro já estava atingindo a região da garganta e certamente o animal morreria da infecção resultante.
O meu pai muito diligente e cuidadoso começou a cuidar das feridas do cão doente, veterinário nem pensar, mesmo que quiséssemos procurar, mas morávamos em região muito distante de qualquer tipo de recursos modernos numa época que os tratamentos eram na maioria caseiros mesmos. Só sei que após muitos cuidados o cão sarou e se revelou um belo animal de grande porte, caçador, e muito alegre. Colocamos nele o nome de malhado e virou o xodó da família. Ensinamos a ele vários truques como a ir buscar qualquer objeto que jogávamos, a deitar quando mandado. Era interessante, pois quando caçávamos passarinhos ele ia buscar a caça muitas vezes em locais de difícil acesso, ele nos trazia na boca sem magoar a caça. Enfim era a alegria da família. Como tudo o que é bom dura pouco, um belo dia apareceu um senhor na casa do papai que era caçador, com parelha de cães, espingarda a tiracolo, apetrechos de caça. E declarou que o animal o nosso malhado era dele, pois já o procurava há tempos. Dissemos das condições que encontramos o animal, doente e mal cuidado. Mas apesar dos protestos tivemos que devolver o cão que não era nosso. Apenas papai fez uma caridade, devolvendo a saúde ao cachorro abandonado. Vimos com tristeza o nosso Malhado ir embora, o que muito nos contristou. Como se diz o que causa alegria hoje, amanhã pode nos trazer tristezas, dependendo das circunstâncias da vida, que é cheia de meandros e voltas. Não sabemos quando a tristeza vai nos atingir. Temos que aproveita-la nos seus momentos bons e nestes momentos colher o que há de melhor. Pois não sabemos em que curvas da existência a tristeza nos atingirá. Ficaram nas nossas lembranças a alegria do Malhado e suas brincadeiras. Temos que agradecer por isto.

Luiz Antonio de Almeida itens compartilhados

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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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