quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A literatura de cordel



Dizem que um mineiro foi ao Rio e um carioca malandro lhe vendeu o Cristo Redentor de papel passado. Mas claro que é brincadeira, os mineiros que são gente boa que me desculpem. Mas um caipira foi à São Paulo e também lhe venderam o prédio do MASP e o EDFÍCIO DO MARTINELLI. Tudo são lendas urbanas. Na é época que eu era criança não tinha televisão e nem esta parafernália toda que hoje existe, a literatura mais difundida entre o povo era a literatura de cordel. Era assim chamada por que eram escritos em livros pequenos e pendurados em barbantes ( cordel) nas bancas de jornal, seriam os livros de bolso de hoje em dia. Lembro-me que minha mãe conseguia recitar quase todos de cor. Tinha um muito engraçado que assim dizia:



São Paulo que mais me amola

Aqueles bondes que nem gaiola,

Ao subir ao bonde,

Topei com um protestante

Bem barrigudo

Levei um tranco dos bens graúdos,

Acabei caindo e quebrei a viola.



 
Assim eram as histórias inventadas pelo povo, Patativa do Assaré escritor nordestino do cordel acho que sem dúvida mereceria o Nobel nessa literatura, a Cultura popular representado pelo Cordel. Infelizmente tudo está desaparecendo e massificando, a televisão ao mesmo tempo em que divulga muito coisa. Também altera tudo, tira a espontaneidade das coisas realmente populares, da sabedoria do povo. As histórias de Lampião e Maria Bonita todas relatadas pelo cordel. Assim como o fim da Segunda Guerra Mundial que dizia mais ou menos assim:



A Alemanha estava dura,.

Mas Graças a Deus deu-se o final

Agora já terminou a Segunda Guerra Mundial



O cordel era o noticiário do povo, o arauto, o reporter, escrito por homens do povo muito pouco letrados, mas com uma grande sabedoria para transmitir e interpretar os fatos e estavam com o povo, e que geral eram escritos em versos bem rimados..

Hoje a gente não sabe com quem esta imprensa anda metida, mas muitas não defendem os interesses do povo, muitas vezes defendendo interesses de multinacionais, perderam a sua autenticidade. Nem usa o palavreado popular, nem sabe se comunicar com as massas. Urge o povo se alfabetizar melhor para tornar-se consciente de seus direitos. A educação sempre foi o pilar básico de uma sociedade que quer se desenvolver e ser igualitária.







terça-feira, 19 de outubro de 2010

São Paulo que mais me amola

São Paulo sempre foi um “fumacê”danado, é gozado que quando era menino ouvia falar que Sampa era o orgulho dos brasileiros, na escola as crianças recitavam os seguintes versos bem ufanosos:

São Paulo léguas de asfalto,
Arranha – céus no planalto
E a  garoa lá no alto
Enchem  o céu de esplendor

“Só me lembro que Shakespeare disse: Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”
Mas depois “a cidade que mais cresce no mundo”, como dizia os paulistas, acho que estavam exagerando, aumentou demais, encheu-se de carro e ônibus, superpopulação formou-se um terrível “fumacê”. Os que sofriam de alergia e problemas respiratórios certamente não eram poucos. Coitados no mínimo ficaram muito doentes, principalmente no inverno quando as condições atmosféricas pioravam, sofrendo com rinites, sinusites e toda uma série de “ites”, que faziam o aprendizado dos estudantes de medicina. Mas sempre tem coisas boas para compensar, a capital tinha bons restaurantes, tinha muitos lugares pra passeio. Mas estudante pobre fazia preparatório pro vestibular, dinheirinho contado enviado pelo pai. Por outro lado tinha uma boa escapatória. Transcorria a década de 60, ou seja, a década de ouro do cinema mundial. Então tinha cinemas em profusão e filmes variados pra todos os gostos. Então aproveitei não perdia um final de semana ia sempre ao cinema e adorava as fitas. A gente se acostuma com mordomias e como!! E depois não quer largar, mas também se acostuma com sofrimentos e privações. No final daquele ano tive a nítida sensação que estava saindo de S. Paulo e não pretendida mais voltar, embora não soubesse direito o meu verdadeiro destino. Mas estava indo pra Uberaba tentar a sorte nos vestibulares daquele ano. Devia estar aliviado por deixar aquela cidade tão opressiva, mas pelo contrário senti uma opressão no peito e saudade daquelas ruas onde deixei parte de minha alma, aqueles cinemas onde tanto me distrai, e senti vontade de chorar. Viagem agitada a noite, estradas desconhecidas, não sabia nem direito onde ficava Uberaba, só sabia que ficava em Minas. Mas o ônibus estava nos levando, chuva torrencial pelo caminho todo, quase não dormia. Uma certa altura da viagem, começou a fazer um barulhão dentro do ônibus, parecia que o pneu tinha soltado a recapagem que batia na lataria. O meu colega de viagem que ficava na poltrona ao lado levou tremendo susto e quase pisou em mim, saiu em desabalada carreira pelo interior do ônibus, pois acordou com o barulho, julgou decerto que o mundo estava acabando. Quando cheguei à cidade outra surpresa, agora esta agradável, tive uma tremenda sensação de ter estado ali outras vezes, quando vi o cartaz luminoso que dizia: Bem-vindo à Uberaba. Os franceses chamam a isto de Dejà vu, ou de já ter visto em tradução livre. Penso que sonhei antes tal episódio  Ou seja, meu espírito devia ter estado ali pelo menos em sonho. Será? Cada um terá uma explicação. Quem sabe os caminhos da alma?  Eu confesso que não sei.  

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nem Freud explica...

Nem Freud explica...







É sabido que as experiências infantis determinam muitas vezes o que acontecerá com a pessoa na vida adulta, seus amores, suas decisões, até mesmo sua profissão ou o seu sucesso/fracasso na vida. É claro que isto não é absoluto, mas em grande medida é assim segundo Freud e seus seguidores da Psicanálise. Porque será que é assim? Ninguém sabe ao certo? Nem Freud explica. A mente humana tem três instâncias psíquicas, a saber: ID, EGO E SUPEREGO. O ID são as pulsões ou desejos que quando não satisfeitos geram conflitos, correspondem aos aspectos inconscientes da mente. O superego são as demandas civilizatórias, os freios que são colocados pela civilização, tais como a religião, a ética, a moral, regulam os impulsos do ID de maneira que o homem possa viver em civilização respeitando o direito de outrem e maneirando as pulsões de sua libido. O EGO são as manifestações da mente consciente, também chamada raciocínio ou razão que procuram fazer a mediação entre o ID e o SUPEREGO. Ou seja, os desejos muitas vezes impossíveis do ID que quer satisfazer seus desejos ou pulsões e é inibido pelo SUPEREGO PROIBITIVO OU CIVILIZATÓRIO. Com relação às localizações anatômicas muitas vezes difíceis localizar estes órgãos no cérebro. Mas anatomicamente falando o ID seria o cérebro primitivo, aquele que veio dos outros animais dos quais nós somos descendentes, seria o palio - cérebro ou cérebro primitivo, representado, por exemplo, pelo sistema límbico que é o centro das emoções primitivas: fome, sede, instinto de sobrevivência, sexo. O superego é a parte do cérebro que faz o controle destas que as modera, dizem que se desenvolveu com a civilização, é tanto mais desenvolvido quanto mais “civilizado” o indivíduo. O EGO corresponde à parte consciente da mente, o córtex, a parte mais nova do cérebro que procura realizar a mediação entre estas duas grandes forças. Ou seja, a satisfação da LIBIDO e as demandas da civilização, as partes que tem que não só inibir, mas equilibrar estas manifestações, ou seja, as demandas da vida instintiva, animal e as demandas da sociedade em que vive. O equilíbrio pouco estável destas duas partes determina a personalidade do indivíduo. Que nunca está totalmente equilibrada, oscilando entre seus instintos e as demandas sociais ou civilizadas. Quanto mais equilibrada estiverem estas partes, mais equilibrado é o indivíduo. Os desequilíbrios destes três componentes originam as neuroses que ocupam grande parte da vida de todo ser humano. Este desequilíbrio muitas vezes pode originar na mais tenra idade, através dos traumas da infância e afetar toda a vida do indivíduo, originando comportamentos e atos falhos, neuroses, desvios de conduta, comportamento anti-social, dificuldades mil. Exigindo psicoterapias e tratamento através de insights.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Pelos caminhos de minha vida

Pelos caminhos de minha vida











Chegou a primavera dizem a estação das flores. O calor intenso já vinha anunciando a próxima estação: sol causticante, calor infernal, a ponto que no meio do dia ser difícil sair na rua e enfrentar o sol a pino. O asfalto parece que começa a fumegar e a soltar um vapor quentíssimo. Mas agora não; desde o final do mês de setembro e início deste mês os metereologistas começaram a anunciar chuvas que não tardaram, vieram de início bem mansas, mas constantes praticamente o dia todo. Agora parece que o verão se estabeleceu mesmo a sua majestade. Pois faz calor forte a partir das dez da manhã acentuando-se ao meio dia até umas 15 horas, depois o céu escurece parecendo início da noite, mas puro engano, são nuvens negras de chuvas, arma-se tremenda tempestade com muitos raios e trovões e o toró desaba. Daí uma hora vem à calmaria, a trovoada foi embora, restando um vento gostoso, desapareceu o calor e a temperatura bem mais agradável. Os tempos mudaram muito, ai que saudades da infância, os tempos eram bem mais regulados, as estações bem definidas. As chuvas começavam em setembro e terminavam em março, chovia muito, mas sempre no tempo certo. Com densidade populacional menor as pessoas não moravam em barrancos, de maneira que não havia acidentes e ninguém ficava soterrado. Enfim a vida era mais tranqüila. A gente ia à escola a pé, percorrendo vários quilômetros por pastos, caminhos de gados, regatos de águas cristalinas, matagais, caminhos estreitos. Buscar as luzes do saber, quando havia orvalho e na roça isto era muito comum, a gente não queria ir à escola, então minha mãe dava a opção: ir à escola e enfrentar o orvalho da manhã ou então enfrentar a surra com vara de marmelo. Diga-se de passagem, eram bem doída, as varadas, embora desferidas com muito carinho, pois objetivava corrigir os filhos e trilha-los para o caminho do bem e da luz. Além do mais a vara era da ponta do marmeleiro, curtida na fumaça do fogão de lenha e depois descascada. Ficava fina e flexível, mas aplicadas no lombo com certa força doía muito e fazia um pequeno calombo que logo desaparecia. Diante desta opção o orvalho era enfrentado com galhardia e logo estávamos na escolinha. É claro e a mama sossegada com os filhos estudando. Assim eram as mães de antanho, rigorosas com os deveres dos filhos, mas carinhosa e solicita. Quando chegávamos havia um bom guisado geralmente de carne de porco, arroz e feijão que deliciávamos, pois estávamos com fome e cansados. Assim eram os tempos idos, muitas vezes cansativos e cheios de deveres, mas também cheio de delícias e brincadeiras, coisas deliciosas que não mais existem, como por exemplo, melado de cana, torresmo, bolo de fubá, comida caseira preparada no fogão de lenha e panela de ferro. Frango com canjiquinha e outros quitutes do “bico da orelha”, como se costumava dizer. Assim foi minha infância ditosa.


Luiz Antonio de Almeida itens compartilhados

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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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