terça-feira, 19 de outubro de 2010

São Paulo que mais me amola

São Paulo sempre foi um “fumacê”danado, é gozado que quando era menino ouvia falar que Sampa era o orgulho dos brasileiros, na escola as crianças recitavam os seguintes versos bem ufanosos:

São Paulo léguas de asfalto,
Arranha – céus no planalto
E a  garoa lá no alto
Enchem  o céu de esplendor

“Só me lembro que Shakespeare disse: Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”
Mas depois “a cidade que mais cresce no mundo”, como dizia os paulistas, acho que estavam exagerando, aumentou demais, encheu-se de carro e ônibus, superpopulação formou-se um terrível “fumacê”. Os que sofriam de alergia e problemas respiratórios certamente não eram poucos. Coitados no mínimo ficaram muito doentes, principalmente no inverno quando as condições atmosféricas pioravam, sofrendo com rinites, sinusites e toda uma série de “ites”, que faziam o aprendizado dos estudantes de medicina. Mas sempre tem coisas boas para compensar, a capital tinha bons restaurantes, tinha muitos lugares pra passeio. Mas estudante pobre fazia preparatório pro vestibular, dinheirinho contado enviado pelo pai. Por outro lado tinha uma boa escapatória. Transcorria a década de 60, ou seja, a década de ouro do cinema mundial. Então tinha cinemas em profusão e filmes variados pra todos os gostos. Então aproveitei não perdia um final de semana ia sempre ao cinema e adorava as fitas. A gente se acostuma com mordomias e como!! E depois não quer largar, mas também se acostuma com sofrimentos e privações. No final daquele ano tive a nítida sensação que estava saindo de S. Paulo e não pretendida mais voltar, embora não soubesse direito o meu verdadeiro destino. Mas estava indo pra Uberaba tentar a sorte nos vestibulares daquele ano. Devia estar aliviado por deixar aquela cidade tão opressiva, mas pelo contrário senti uma opressão no peito e saudade daquelas ruas onde deixei parte de minha alma, aqueles cinemas onde tanto me distrai, e senti vontade de chorar. Viagem agitada a noite, estradas desconhecidas, não sabia nem direito onde ficava Uberaba, só sabia que ficava em Minas. Mas o ônibus estava nos levando, chuva torrencial pelo caminho todo, quase não dormia. Uma certa altura da viagem, começou a fazer um barulhão dentro do ônibus, parecia que o pneu tinha soltado a recapagem que batia na lataria. O meu colega de viagem que ficava na poltrona ao lado levou tremendo susto e quase pisou em mim, saiu em desabalada carreira pelo interior do ônibus, pois acordou com o barulho, julgou decerto que o mundo estava acabando. Quando cheguei à cidade outra surpresa, agora esta agradável, tive uma tremenda sensação de ter estado ali outras vezes, quando vi o cartaz luminoso que dizia: Bem-vindo à Uberaba. Os franceses chamam a isto de Dejà vu, ou de já ter visto em tradução livre. Penso que sonhei antes tal episódio  Ou seja, meu espírito devia ter estado ali pelo menos em sonho. Será? Cada um terá uma explicação. Quem sabe os caminhos da alma?  Eu confesso que não sei.  

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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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