domingo, 15 de março de 2009

O ULTIMO DOS MOICANOS

Escrever pra mim chega a ser uma terapêutica. Pois nessa noite resolvi contar a história de meu tio que faleceu recentemente acho que há menos de um ano. Pois é, eu tenho uma história rural. Fato que antigamente era bem corriqueiro, mas hoje já é mais raro, pois quase todo o mundo que tem até pelo menos trinta anos nasceu na cidade, depois do êxodo rural das décadas de 50 e 60. Não tenho estatísticas, mas acho que a partir da década de 70, o bairro que eu nasci e morei em minha infância estava completamente esvaziado, não tinha mais ninguém. Só ficou o meu tio, por isso que eu quero contar a história dele. Quando eu era criança lembrava muito dele que ainda era solteiro e vivia querendo casar, é lógico que casou, como quase todo mundo do bairro fazia, com uma moça do bairro, que inclusive era sua prima. Vale ressaltar que os casamentos consanguíneos naquela época eram muito frequentes. A comunidade era pequena havia poucos moços e poucas moças. De modo que se casavam entre si, havia também o motivo da preservação da herança. Motivos económicos sempre houveram, naquela época e agora também, acho que neste aspecto nada mudou. Meu tio lembro-me bem era um moço muito alegre, vivia cantando e assobiando, como quase todo o mundo. Era um bairro pobre, mas todo o mundo era alegre, riqueza não faz alegria de ninguém, pelo contrário, as vezes trazem só desgraça. Pois é neste bairro contente, alegre, cheio de festas folclóricas: São Benedito, São João, Sto. António, Festa do Divino, Natal, Semana Santa, etc., Muitas danças folclóricas, tais como o Jongo, o Moçambique, o Cateretê,. Como disse o bairro foi esvaziando com todo o mundo indo pra cidade, só ficando os mais velhos, que abandonaram as tradições, que pena!, e tudo foi morrendo. Dá até tristeza contar, mas foi assim mesmo. Só sobrou mau pai que ficou doente por muito tempo, e abandonou a lida rural. No fim só ficou o "ULTIMO DOS MOICANOS", ou seja meu tio, que num sitiozinho pequeno aguentou na roça até o final da vida, fazendo a sua rocinha, puxando o úbere de algumas vaquinhas para obter um leitinho que praticamente só dava para o sustento próprio. Fui visitá-lo com frequência enquanto era vivo. Caboclo alegre, prático nas coisas do sítio, me aconselhou nos negócios que devia fazer com relação ao sitiozinho que herdei de meu pai. Por fim este também faleceu, e com ele acabou o BAIRRO DA STA. CRUZ DO RIO ACIMA. Explicando melhor sobre MOICANOS: No oeste americano durante a conquista no século XIX, houve um cacique chamado TOURO SENTADO, que com seus valentes guerreiros, resistiram ao americano branco, cara pálida, nos seus ideais de conquista e riqueza, tentando preservar a cultura do seu povo, mas foi derrotado num verdadeiro massacre, constituindo um verdadeiro genocídio naquela época. Daí tal EPOPEIA foi lembrada num filme memorável, daí então a citação do película: O ULTIMO DOS MOICANOS. Numa analogia com nosso BAIRRO, meu tio foi o ultimo dos moicanos a resistir a invasão do ""progresso"". Infelizmente, o Bairro da minha infância não existe mais como era antes, tendo as culturas e a criação de gado substituída por extensas plantações de Eucaliptos de Companhias e Industrias que fabricam papel e outros quetais.

4 comentários:

  1. Amigo, é um preço que nossas lembranças pagam pelo MODERNISMO. Pela falta de apoio a pequenas comunidades. Fizemos isso com a nossa cultura indígena, já corrompida, contaminada financeiramente e imunologicamente. Os interesses da maioria, acaba com as coisas saudaveis da vida. Incluindo o direito que temos de, após aposentarmos, voltarmos ao nosso cantinho.
    Pena isso...
    JInhus, amigo

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  2. Não sei se estas a ler meus comentarios, mas de qq forma, jinhus

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  3. Claro que estou a ler, acompanho os seus comentários e o seu com o maior interesse. Os seus blogs são muito bons, sem sombra de dúvida, sem querer fazer média. Continue...

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  4. Luiz, com certeza você esta a falar do Tio Dito casado com a Tia Tereza que depois da morte dele mudou lá para o alto do Cruzeiro. Aliás a maioria dos pequenos sitiantes e que venderam suas terras no bairro de Santa Cruz foram parar no alto do Cruzeiro. Fui lá no carnaval e a visitei. Está muito parecida com a mãe o que natural ja que são irmãs por parte de pai - Filha do Simão com Dna Dita (que Deus a tenha!) Eu não conheci o vô Simão e nem o vô Vená. Sei também que tinham um grau de parentesco muito proximo. Me lembrei agora: O vô Simão era tio do vô Vena e viviam as turras. Como vê tenha no sangue as terras do sertão grande!!!

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Luiz Antonio de Almeida itens compartilhados

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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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