segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um dia de fúria








Não me lembro só sei que devia ser uma manhã muito distante, remota, o menino sentado no chão de terra batida, meio pelado, meio nu, a casa paupérrima, coberta de barro e sapé, típica casa de caboclo. O menino devia ter uns três anos de idade mais ou menos não se sabe ao certo, mas parece que aquilo aconteceu há uma eternidade, mas gravou em sua mente, tal qual um filme. Sem saber como e porque e como. A violência desabou sobre ele. Inocente criança, sem nada do mundo conhecer, no seu desamparo infantil, viu a violência estalar em pesados golpes sobre aquela que o nutriu e lhe deu a vida. Não entendia nada, mas tinha ouvido para ouvir os gemidos de sua mãe e os golpes das chibatadas que lhe eram desferidas. Não entendeu nada, nem podia, nem lhe explicaram. Algumas chibatadas foram também em si desferidas pelo verdugo. Parecia cena da escravidão diria eu hoje, em que escravos rebeldes são amarrados em troncos e são vergastados até que suas carnes fiquem marcadas para tornarem-se mais obedientes. Mas essa explicação é uma racionalização de um adulto para explicar a fúria da natureza selvagem daquele homem embrutecido pelo sertão pelas dificuldades, pela pobreza. Mas será que a violência tem justificativa. Neste mundo todos sofrem injustiças. Mas as crianças e as mulheres são as que mais sofrem a violência do cotidiano. O homem tem um componente irracional muito grande, não pensa nos seus atos, age por impulso, fica tomado pelo ódio. Daí então as guerras nos lares que são reproduzidas pelos estados e nações. E o pobre menino na sua ingenuidade infantil, sem poder defender a mãe de tamanha brutalidade. Ficou paralisado em suas ações, desde então os pesadelos não o deixam, torno-se escravo do medo pelo resto da vida. Quer se libertar das amarras que o prenderam há tanto tempo, mas não consegue. Como diante de um perigo, não tivesse reação ficasse paralisado. Mas o menino quer libertar-s, pois nada fez, foi apenas mais uma vítima das circunstâncias, era inocente e nada poderia fazer. Ficou com o cérebro marcado por terrível violência. Oxalá Deus perdoe quem feriu uma fraca mulher e uma inocente criança.

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Sobre eu e meu blog

Gosto de escrever, não o escrever por escrever, mas até uma necessidade intrínseca de me expressar, de transmitir algo, um pensamento, com ist0 eu possa despertar algo de bom em meus amigos. Muitas vezes mesmo é meu desejo de comunicação, já como disse uma amiga, sou tímido, então a comunicação verbal direta estaria dificultada, então a comunicação via internet mil vezes potencializada. Diga o que disserem, mas o computador aproximou as pessoas, que muitas vezes estavam distantes, e tinham poucas possiblidades de comunicação. E os "bloguistas" podem então dar asas a sua imaginação e exercitar as suas potencialidades, que terão mais ou menos leitores de acordo com suas possibilidades e capacidades. O meu blog é geral, pois trato de qualquer assunto, moderno, contemporâneo, assuntos atuais, problemas brasileiros e outros tantos.

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